Críticas

Sangue pelo Sangue: O Retorno de Leatherface

Em 1974, o cineasta Tobe Hooper dirigia uma das maiores obras-primas do terror: “O Massacre da Serra Elétrica” (The Texas Chain Saw Massacre). Mesclando road movie e terror, o longa traz cenas ímpares de violência, cruas e chocantes, principalmente para a época. Isso fez com o filme não só ganhasse o status de cult ao decorrer das décadas, como se tornasse um dos percussores do subgênero slasher.

Após quase meia década – e uma porção de continuações e remakes um tanto questionáveis -, a Netflix produziu “O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface”, uma sequência direta do primeiro filme.

Desta vez, um grupo de adolescentes idealistas encontra na pacata cidade de Harlow, no interior do Texas, uma oportunidade de melhorar a vida de seus habitantes – além de satisfazerem seus egos – fazendo leilões de casas e estabelecimentos. E em um confronto com uma senhora sobre a escritura de um orfanato, que resultou em sua morte, os jovens despertam a ira do serial killer leatherface, vivido de forma imponente pelo ator Mark Burnham.

“O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface” bebe da fonte criativa de “Halloween”, de 2018, dirigido por David Gordon Green, que trouxe a ideia de contar a história de Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), após 40 anos do primeiro longa. Mas, ao contrário do grande acerto que foi o retorno de Michael Myers às telas, o filme da Netflix é uma sequência de boas ideias com péssimas execuções.

A obra aborda temáticas delicadas, desde adolescentes utilizando armas de fogo em escolas até a defesa da bandeira dos Confederados, mas que não agregam ao filme. O roteiro joga tantas informações e questões ao espectador, mas as resoluções – quando existem – são preguiçosas e em nada interferem na história, sendo completamente descartáveis à trama.

O grupo de jovens, composto por Melody (Sarah Yarkin), Lila (Elsie Fisher), Dante (Jacob Latimore) e Ruth (Nell Hudson), é desinteressante, não gera empatia e faz com que o espectador não se importe com seus futuros. Mas, talvez, um dos maiores problemas é a Sally Hardesty, personagem principal do filme clássico, que retorna como uma senhora badass para caçar o Leatherface ao pior estilo de Laurie Strode, em Halloween. Na obra de 1974, a personagem é vivida pela atriz Marilyn Burns, que faleceu em 2014. Ao longo dos anos, Sally ganhou o status de uma das mais importantes final girl’s de todos os tempos, endossando a falta de necessidade do retorno da personagem para a obra de 2022, agora vivida pela atriz Olwen Fouéré, principalmente de forma tão preguiçosa.

Mas nem tudo aqui é perdido; o Leatherface de Mark Burnham tem uma boa presença de tela, com trejeitos menos animalescos e mais sombrios do que o personagem vivido por Gunnar Hansen, na primeira película. A cena em que assume o manto do icônico serial killer e a matança que ele faz dentro do ônibus são de extrema tensão, reforçadas por uma boa fotografia e enquadramento.

Embora tente subverter os tropos dos filmes slashers, que, inclusive, o clássico de 1974 ajudou a firmar, O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface entrega uma fórmula que já é batida pelos amantes do terror: o derramamento de sangue sem nenhum sentido. Mas tenha em mente que ao embarcar nesta jornada de 1h20m, a sua única certeza sobre a obra é que muito sangue será derramado e que a arma do vilão é, na verdade, uma motosserra.

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