Cinema & Séries

Confira entrevista com Rogério Engelhardt sobre o curta “Arrobapontocom”

As artes têm papeis essenciais dentro da sociedade, podendo nos conectar ao passado e até mesmo levantar indagações sobre o futuro, para falar de um determinado aspecto sociocultural do momento em que vivemos. E o cinema é a arte que melhor possibilita a comunicação com o público em geral, tanto por ser democrático e poder atingir diversas camadas da sociedade quanto se comunicar por meio da imagem e do som, facilitando o entendimento.

Por isso, não é difícil imaginar que muitas das nossas características atuais, positivas e negativas, sejam utilizadas das mais diversas maneiras como pano de fundo para filmes. Olhando diretamente para esse viés, Rogerio Engelhardt, publicitário e diretor de cinema, está dirigindo e produzindo o filme “Arrobapontocom”.

O curta-metragem se passa em uma sociedade futura, não tão distante assim, em que a vida depende do bom status na rede social Arrobapontocom. E é neste cenário que a jovem Karime vai ao limite para recuperar sua pontuação positiva na rede e acaba se dando mal.

A produção do filme nasceu da possibilidade financeira concedida pela lei Aldir Blanc, regulamentada pelo Governo Federal e disponibilizada no edital da cidade de Itapecerica da Serra (SP), em 2021, que prevê o auxílio financeiro ao setor Cultural. A iniciativa visa auxiliar profissionais como atores, artistas plásticos, contadores de histórias e professores de escolas de artes, durante o período de distanciamento social causado pela pandemia de coronavírus.

Ainda assim, a ideia surgiu tempos antes, com a criação da agência 3Tabela, empresa encabeçada por Rogério, que faz produções audiovisuais na cidade de Itapecerica da Serra, e tinha como um dos sonhos fazer um curta e, a partir disso, também produzir e dirigir médias e longas-metragens.

A relação de Rogério com o Cinema

Diretor do curta Arrobapontocom
O diretor Rogerio Engelhardt

Desde cedo, Rogerio Engelhardt foi um grande apaixonado por obras cinematográficas. Como outros amantes da sétima arte nascidos nos anos 90, adorava ir às locadoras e passar bons momentos escolhendo os títulos dos filmes que iria se aventurar.

Seu primeiro contato real com o audiovisual foi na universidade, no curso de Publicidade e Propaganda, tratando questões técnicas como elaboração de roteiros e de áudios. O segundo grande passo foi a pós-graduação em História, Sociedade e Cultura, em que ganhou mais noção sobre a sociedade brasileira, movimentos históricos e da arte, que serviu como um refinamento do conhecimento histórico e cultural. “Se você não conhecer a cultura de onde você vive e do mundo, não consegue escrever um bom texto ou bom roteiro”, afirma Engelhardt.

Já na vida profissional, atuou como estagiário no arquivo de uma produtora e distribuidora de filmes clássicos. Ali teve a oportunidade de conhecer películas dirigidas por Stanley Kubrick, Woody Allen, Ingmar Bergman, François Truffaut, Alfred Hitchcock e outros diretores consagrados. Do arquivo foi para o marketing, e depois passou para outra produtora, onde trabalhou na parte de produção focada no mercado publicitário. Este foi um período essencial para a construção de um bom network, participando de produções premiadas, além de atuar diretamente com grandes marcas.

Também atuou como diretor de um filme, enquanto lecionou no curso de Cinema na EMAC (Escola Municipal de Arte e Cultura) de Itapecerica da Serra, passando por dentro de todos os processos juntos aos seus alunos.

Toda a bagagem adquirida por Rogerio fez com que o sonho da produção de um novo filme fosse capaz. “Que as pessoas não achem que por ser produzido em uma cidade pequena o curta será produzido de qualquer jeito. A equipe está muito empenhada e determinada a fazer um grande trabalho. O ‘Arrobapontocom’ não é mais um filme pastel, ele vem para ser uma pedra no sapato, que faça o público refletir e pensar, dando aventura e suspense”, conta com orgulho.

Bastidores do “Arrobapontocom” com o diretor

Conversamos com o produtor e diretor Rogério Engelhardt, que contou sobre a produção que está em fase de gravação. Confira:

Portal Opa – Você já conhecia a Lei Aldir Blanc?

Rogerio Engelhardt – Conheci por meio da secretaria de cultura da Itapecerica da Serra e acabei entrando no projeto neste ano, 2021, a convite da Flávia Silveira. Após o meu trabalho na Secretaria de Cultura da cidade ter encerrado, Flávia me chamou para fazer parte do projeto e dirigir seu filme.

Portal Opa – Arrobapontocom é o seu segundo trabalho cinematográfico. Quais foram as principais diferenças entre esta e a sua primeira produção?

Rogerio Engelhardt – Minha primeira produção foi um curta-metragem “Casulo: O Filme”, feito junto aos meus alunos da EMAC (Escola Municipal de Arte e Cultura) de Itapecerica da Serra. Eu era professor do curso de Cinema, e como o Trabalho de Conclusão de Curso seria os alunos produzirem um filme junto comigo, dirigi o filme e os ajudava nas outras funções, enquanto explicava como funcionavam na prática. A primeira e grande diferença é essa, dessa vez eu tenho uma equipe trabalhando para mim, tem um aparato diferente e investimento, recurso material, recurso humano, até na composição e velocidade que tudo é produzido e feito. Ambos são filmes que têm certa similaridade de enredo, que falam sobre o jovem e sua vida. O primeiro filme falava de um menino que queria ser dançarino, mas tinha alguns bloqueios por conta do pai e da família, uma história e enredo bastante utilizado, mas que foi contado de uma forma lírica e bem bonita. E o Arrobapontocom é um filme de uma jovem em um universo futurístico em que ela precisa se expor nas redes sociais para poder sobreviver.

Portal Opa – Além da questão das mídias sociais, o filme abordará outros aspectos culturais e/ou sociais do nosso cotidiano? Quais?

Rogerio Engelhardt – A base do filme é as mídias sociais, no caso a Arrobapontocom, que foi criada tomando o lugar de outras redes sociais, tornando-as obsoletas por ter todas as características positivas delas em um só lugar. A rede social será um pano de fundo; tudo que acontece são interações entre as pessoas, produzidas por pessoas e atitudes tomadas por pessoas. A rede social te dá possibilidades, ela é uma ferramenta. O que você fará com essa ferramenta é o que o nosso filme conta. Aspectos sociais, culturais e principalmente psicológicos são trabalhados na obra, em especial com a personagem principal, que tem um psicológico frágil, fraco e afetado por uma sociedade que se deixa levar sem muito senso crítico. Ela abdica de pensar em nome das redes sociais.

Portal Opa – Arrobapontocom se inspira diretamente em outras obras? Quais?

Rogerio Engelhardt – Sim, existem inspirações. As primeiras são literárias, do campo acadêmico: o primeiro é a “Sociedade do Espetáculo”, do Guy Debord; o segundo é “Vigiar e Punir”, do também francês Michel Foucault. O nome “Sociedade do Espetáculo” já diz bastante do que o livro se trata, e o “Arrobapontocom” é totalmente um espetáculo em que você só é incluído socialmente se der luz ou visibilidade à sua vida privada. Ela funciona em um sistema de lives, então, quanto mais lives você faz, mais ela te divulga, mais pontos você recebe, mais acessos às lojas e produtos você consegue na sociedade. E, por conseguinte, o “Vigiar e Punir”, em que você mostra demais a sua vida e tem muita gente para te vigiar, mas você também é vigilante e punidor. Na sociedade, as pessoas gravam umas as outras, caso o interlocutor venha falar alguma coisa ou ter uma atitude errada, a pessoa pode ser cancelada na internet. E a pessoa que postou o vídeo pode ser beneficiada ganhando mais pontos, aumentando o seu score dentro da rede social. Além do mais, existem inspirações de outros filmes, derivados de livros, como 1984, Fahrenheit 451, a Bruxa de Blair, entre diversas outras tanto do âmbito literário quanto cinematográfico.

Portal Opa – A direção de um filme traz um olhar muito pessoal do diretor para a obra, e Arrobapontocom é uma coprodução sua com a Flávia Silveira. Como compartilhar suas perspectivas e ideias com ela?

Rogerio Engelhardt – O diretor na verdade é o artista por trás de um filme, apesar do longa ser uma obra coletiva em que são necessárias inúmeras pessoas, atores, técnicos, diretores de arte, de fotografia etc. Mas a obra é do diretor. A gente separou muito bem o papel de cada: a Flávia é produtora executiva do filme, então ela fica encarregada de toda a parte de produção, que vai desde o equipamento, o objeto que está em cena, o figurino, até dirigir as pessoas. O posicionamento dela sempre me deixa uma margem muito grande, me apoiando em cada decisão. São raros os momentos em que a gente discorda de alguma coisa. A gente pensa de forma bem parecida, e isso traz uma facilidade muito grande na hora de fazer o filme.

O lançamento do Arrobapontocom está previsto para meados de junho de 2021. E você pode conferir todas as novidades do filme seguindo a página oficial do Instagram: https://www.instagram.com/arrobapontocomoficial/

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